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Sobre Orgânicos

 

Ana Elisa Feliconio, especialmente para o Sítio do Moinho

3) Algumas Práticas da Jardinagem Ecológica

• Não comprar vasos de xaxim por se tratar de pedaços do tronco de uma espécie ameaçada de extinção – o samambaiaçu (Dicksonia selowiana) - típica da Mata Atlântica. A extração desordenada do xaxim também ajuda a destruir todo este ecossistema, já bastante comprometido. Já existem no mercado vasos produzidos a partir da casca do côco (Jardim de Flores, 2006). Por motivos semelhantes, o jardineiro ecológico deve evitar vasos fabricados com plástico (que consome petróleo na sua fabricação e é altamente poluente quando descartado). A exceção é o reaproveitamento de garrafas PET, ou de qualquer outro material como latas (de óleo e leite) e vidros que possam ser utilizados por longos períodos como vasos para as plantas e posteriormente encaminhados para coleta seletiva. No comércio existe como opção os vasos de cerâmica, produzidos a partir da argila. Além de ser matéria-prima abundante na natureza o barro possui as seguintes propriedades: transpira melhor, é o material que mais se assemelha ao solo e possui excelente condicionamento térmico. Atenção: Todo vaso ou jardineira deve possuir um orifício para possibilitar o escoamento da água.

• Reciclar a matéria orgânica sempre que houver espaço disponível (cascas de frutas e verduras e de ovos, por exemplo) através da compostagem (processo controlado de degradação da matéria orgânica em presença de oxigênio), fabricando seu próprio adubo orgânico para as plantas. Quando não for possível produzir, adquirir no comércio o composto orgânico ou vermicomposto (processado pelas minhocas) a farinhas de ossos ou o fosfato de rochas, evitando-se os fertilizantes químicos.

• Dar preferência para espécies ornamentais nacionais ou de ocorrência regional, geralmente mais tolerantes ao ataque de pragas e doenças e mais adaptadas aos nossos solo e clima.

• Utilizar prioritariamente práticas preventivas no manejo de pragas e doenças. Por exemplo: plantar nas bordas dos canteiros ou em vasos espécies que repelem ou combate as pragas mais conhecidas. Exemplos.: Hortelã e gergelim afastam formigas; arruda e cravo-de-defunto (Tagetes sp.) combatem pulgões(Jardim de Flores; 2006).

• Trabalhar todas as práticas de jardinagem com a perspectiva da prevenção, diminuindo a probabilidade de surgirem problemas futuros. Por exemplo: a) realizar a rega de forma cuidadosa, sem encharcar o solo, evita-se que as raízes apodreçam e apareçam doenças; b) Realizar a rotação periódica de plantas, revezando espécies ornamentais ou comestíveis de folhas, flores, tubérculos num mesmo local, evita  infestações em grande escala de pragas e doenças. c) Também quando são feitos periodicamente o afofamento da terra e a adubação, diminuem as chances de faltar ar ou nutrientes para as raízes, o que deixaria as plantas enfraquecidas.

• Cultivar, sempre que possível, espécies ornamentais, frutíferas ou até árvores de maior porte que atraiam animais polinizadores como pássaros (beija-flores), abelhas, vespas. Eles terão alimento para permanecer na região e ajudarem na reprodução de outras plantas silvestres e cultivadas que existam nas zonas urbanas. Exemplos de plantas que atraem pássaros: pitangueira (Eugenia uniflora), laranjeira (Citrus aurantium), palmito pupunha (Bactrys gasipaes), magnólia-amarela (Michelia champaca), mamoeiro (Carica papaya), araçá (Psidium sp.), urucum (Bixa orellana) (Jardim de Flores, 2006).

• Valorizar as propriedades medicinais das plantas e, com orientação médica, utilizar a fitoterapia para manutenção da saúde, cultivando um “jardim medicinal” caseiro.

• Aproveitar a experiência dos mais velhos ou a sabedoria popular. Por exemplo, a sabedoria popular indica que os melhores meses para fazer a poda das plantas ornamentais ou frutíferas são os meses sem “r” – maio, junho, julho e agosto – justamente os do inverno, quando os dias são mais curtos e a luminosidade é menor. Também é o período em que corre menor quantidade de seiva dentro das plantas. Ao fazer a poda neste período, prepara-se as espécies para brotar e florir na primavera.

• Procurar todas as fontes de informação que estiverem disponíveis para aprender sobre os princípios do manejo da agricultura orgânica como um todo. Vale pesquisar em livros, revistas, internet, conversar com produtores em feiras; com jardineiros mais experientes, freqüentar exposições de plantas e procurar profissionais (agrônomos, biólogos, etc) que atuem na área da agroecologia. Conhecimento é o principal “insumo” que os jardineiros ecológicos devem buscar para serem bem sucedidos.

É importante saber: que a ocorrência de problemas com pragas, doenças e outros indicadores de desequilíbrio ecológico é comum nos jardins ecológicos, nos primeiros meses após sua implantação. E por que isso acontece?

Enquanto o jardim ou horta ou mesmo as plantas recém-transplantadas em vasos não desenvolvem seu potencial de fertilidade e vigor, é natural que apareçam predadores, insetos ou organismos causadores de doenças. Isso acontece em parte porque é necessário um tempo para estimular a proliferação da vida presente no solo e melhorar também sua estrutura, aeração, além da presença de matéria orgânica. Após algum tempo, as plantas começam a responder o investimento que foi realizado na estruturação e vida do solo e o que é melhor: mantêm a saúde e a vitalidade no médio e longo prazo.

Outro fator importante que atrapalha a resposta inicial das plantas ao manejo ecológico está no fato de que as sementes são oriundas do sistema convencional de plantio, manejo e melhoramento genético. Ou seja, foram selecionadas para apresentarem produtividade (plantas comestíveis) ou beleza (ornamentais) em detrimento de outros aspectos, como resistência a doenças e pragas, ou rusticidade (capacidade de se adaptar sob condições adversas de solo e clima). Isto faz com que as variedades de sementes comerciais para apresentar as características selecionadas, dependam de fertilizantes nitrogenados e agrotóxicos produzidos pela indústria química, por serem naturalmente mais suscetíveis a doenças ou desordens metabólicas e, portanto, mais frágeis sob o aspecto de adaptabilidade aos ecossistemas (Pachoal, 1994).

Portanto, ainda que os primeiros resultados da colheita sejam desanimadores - no caso de uma horta - ou que haja morte de algumas plantas ornamentais é preciso que o jardineiro ecológico cultive também um pouco de paciência e persistência, aplicando os novos princípios, ciente de que os problemas são parte da construção do equilíbrio ecológico que está se formando. Ao estimular os fenômenos naturais através do manejo cuidadoso do jardim ou das plantas em vasos, o ser humano naturalmente criará as condições para que as próprias plantas se defendam de predadores e parasitas, cuja ocorrência tenderá a diminuir com o tempo.

4) Dicas práticas para iniciantes

Atualmente, as casas e apartamentos possuem dimensões reduzidas. Muitas residências não possuem áreas abertas, impondo diversas limitações (impacto da luz solar, umidade, aeração) para o cultivo de plantas.

Contudo, sempre é possível encontrar as espécies de plantas ornamentais mais adequadas para cada ambiente. Por exemplo: existem espécies que requerem pouca luz solar para se desenvolverem como a árvore da felicidade, as avencas, as violetas e a espada-de-são-jorge e as samambaias. Outras plantas como a jibóia e o mini-antúrio toleram bem a umidade e se adaptam a espaços pequenos como o dos banheiros e áreas de serviço. Uma excelente opção para varandas ou espaços junto a portas e janelas são as espécies frutíferas (romãzeira, jabuticabeira, pitangueiras) com ramos enxertados que frutificam em tempo menor e oferecem frutos ao longo do ano (Waldman & Schneider, 2000).

Outro critério muito importante para a escolha das plantas é a disponibilidade de tempo dos moradores. Existem, pelo menos, quatro possibilidades (Santos, 2006):

• Quase nenhuma disponibilidade de tempo: para aquelas pessoas que saem de casa de manhã, retornam apenas à noite e não têm como delegar as tarefas de cuidar das plantas, o melhor é adquirir espécies que precisem de apenas uma ou duas regas por semana. Por exemplo: cactos, comigo-ninguém-pode e as chamadas “suculentas”, que armazenam água nas folhas.

• Pouca disponibilidade de tempo: para os moradores que gostam de cuidar de plantas, mas dispõem de pouco tempo, o ideal é ter um jardim ou plantas de vaso com espécies perenes, mais resistentes às mudanças climáticas e com um crescimento mais lento. Exemplos: samambaias, violetas, azaléias, palmeiras, lírio-da-paz, maria-sem-vergonha, copo-de-leite.

• Razoável disponibilidade de tempo: os moradores que possuem mais tempo para cuidar das plantas e possuem disponibilidade para comprar sementes e mudas podem adquirir espécies que necessitem de reposição a cada um ou dois meses. Exemplos: amor-perfeito, margaridinha-escura, cravos, girassol, tagetes, celósia.

• Grande disponibilidade de tempo: aquelas pessoas que colecionam plantas ou fazem desta sua principal atividade ou passatempo, podem investir nas espécies mais exigentes como as rosas ou as orquídeas, por exemplo.

Para encorajar aqueles que desejam praticar a jardinagem ecológica, mas não têm experiência, reproduzimos abaixo alguns procedimentos que ajudam na implantação e manutenção das plantas (Paisagismo Brasil, 2006):

1. Remexa a terra para deixá-la fofa. Enquanto estiver fazendo isto, misture adubo orgânico que pode ser o composto ou o vermicomposto (húmus de minhoca). Para melhorar a qualidade do solo, você pode fazer uma mistura: 
• Misture uma porção de areia, com uma porção de terra e uma porção de composto orgânico ou vermicomposto. Para cada 5 litros de mistura básica acrescente: uma colher de sobremesa de farinha de ossos, uma colher de sobremesa de farinha de peixe.

2. Retire todas as impurezas: ervas daninhas, raízes mortas, torrões de terra seca.

3. Adicione a mistura a sua terra e mexa bastante.

4. Para corrigir ainda mais o solo, acrescente areia em solos argilosos e compactos ou terra em solos arenosos.

5. Escolha as plantas de acordo com o tipo do seu jardim: se é exposto ao sol ou fica mais na sombra, se é grande ou pequeno, etc. Peça ajuda a um profissional especializado: agrônomo, paisagista ou jardineiro mais experiente.

6. Para plantar as mudas, faça um buraco de bom tamanho, retire o plástico da muda e coloque o torrão dentro do buraco. Coloque aquela mistura ( Passo 01) em torno do torrão.

7. Para as espécies que possuem caules finos e altos, coloque um bambu ou um cabo de vassoura para apoiar a planta. Amarre delicadamente o caule ao bambu ou outro suporte(estaqueamento).

8. Para regar suas plantas, dê preferência para as primeiras horas do dia. Evite molhá-las quando o sol estiver forte.

• Para vasos com plantas com caule regue por cima com um regador fino até que a água saia pelo furo da drenagem do vaso.

• Para vasos com plantas que cubram toda a superfície do vaso, encha de água o prato que fica sob o vaso.

• Para jardins e canteiros use mangueiras com irrigadores de pressão.

9. Sempre retire as folhas secas, murchas e doentes, com uma tesoura de poda. Deixe as flores murchas, pois elas viram frutos.

10. Quando as raízes atingem um tamanho muito grande para o vaso que estão ocupando, é preciso mudar a planta para um vaso maior. Solte a planta do vaso antigo com a ajuda de uma pá. Segure firme o caule e bata com o vaso na beirada de uma mesa para que o torrão se solte. Replante seguindo instruções do passo seis.

Finalmente, de posse de tantas informações, agora cabe aos leitores deste artigo dar o primeiro passo e, ainda que titubeantes, tornarem-se jardineiros ecológicos, embelezando o espaço urbano com plantas de diversas cores.


Fontes Consultadas

Brosse, Jacques. As plantas e sua magia. Rio de Janeiro:Rocco, 1993; p.96.

Francisco Neto, João. Manual de Horticultura Ecológica: guia de auto-suficiência em pequenos espaços. São Paulo: Nobel, 1995.

Waldman, Maurício; Schneider,  Dan Moche. Guia Ecológico Doméstico. São Paulo: Contexto, 2000.

Paschoal, Adilson. Produção orgânica de alimentos: agricultura sustentável para os  séculos XX e XXI: guia técnico e normativo para o produtor, o comerciante e o industrial de alimentos orgânicos e insumos naturais. Piracicaba: Adilson D. Paschoal, 1994.

Instituto Agronômico de Campinas - IAC. Boletim O Agronômico, n.55, p.01, 2003. In:
http://www.iac.sp.gov.br/OAgronomico/55/paginas56a60.pdf

Santos, Priscilla. Cara de Paisagem. São Paulo: Revista Vida Simples, edição 39, março, 2006.

D' Ávila, Marcos. Jardins são usados como locais de meditação e reflexão. Matéria de 29/09/2005; In:http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4021.shtml

http://www.paisagismobrasil.com.br/index.php?
system=news&news_id=547&action=read

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jardinagem

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_dos_jardins_bot%C3%A2nicos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jardins_suspensos_da_Babil%C3%B3nia

http://www.jardimdeflores.com.br

Secretaria do Estado da Fazenda do Espírito Santo. Burle Marx: Os jardins; p.22 In:
http://www.sefaz.es.gov.br/painel/BMBio22.htm

Secretaria do Estado da Fazenda do Espírito Santo. Burle Marx: Os jardins; p.25 In: http://www.sefaz.es.gov.br/painel/BMBio25.htm

 

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